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15 de mar. de 2010

Tampa da Panela














A cena, uma boate.  Na pista, dezenas de pessoas se esbarram, dançam e não se veem. Em uma ponta, uma menina linda se diverte enquanto se pergunta “até que horas eu preciso ficar?”. Em outra, um rapaz também bonito está à procura de alguém. De longe, ele a vê. Distante, ela também o encontra. Os dois se olham sem pressa. Aproximam-se. Ele, sem jeito. Ela o espera.  Sem dúvida, era ela a sua condessa. Um segundo e um deslize para atrapalhar todo o resto da história. Na hora agá, ele se embananou com os títulos. No passado, teria se dado bem. Em tempos de pouca realeza, só conseguiu se expressar com um pobre e ultrapassado “Oi, princesa!”.

22 de jan. de 2010

Sexo Errado


Durou poucos dias. Mal se conheceram, mal se amaram e acabou. Acabou porque se amaram mal. Na cama, ela tinha limites. Por isso, foi ele que terminou. Na discussão, muito exaltado, deixou claro o motivo: “...E agora eu vou arrumar uma mulher de verdade. Uma que queira fornicar, entende? Uma bem gostosa, que goste do "vuco vuco". Sabe o que é "vuco vuco"? E sexo, você sabe o que é?!”. Com voz serena e bem mais grave do que de costume, ela também resolveu deixar tudo claro: “Eu também quero uma!”. 

19 de jan. de 2010

Morte na Academia (microconto)











A idéia era brilhante, mas depois apareceu um tal de Acordo e levou embora alguns acentos de ditongos. Sem o acento agudo, em poucos segundos a ideia perdeu força, até não suportar a dor e morrer alí mesmo, na frente do seu criador.



17 de jan. de 2010

Terremoto (microconto)


Sofreu com os abalos sísmicos provocados pelo encontro de dois corações estremecidos. Os tremores revelaram fragilidades nas estruturas e colocaram tudo abaixo em poucos segundos.