29 de jan de 2010

Visitante

Como uma visitante,
Ela chegou, me olhou, tocou,
E depois seguiu adiante.

Estações

Começamos no verão,
A temperatura aumenta.
Passamos pelo outono,
Caem nossas vestimentas.
Invernamos em meu quarto,

Deitamos em cama pronta.
Primavera se apronta,
Nossa última estação.

27 de jan de 2010

Dicas Pra Quem Quer Perder Barriga

A minha 
Primeira dica 
É a seguinte:
Não adie 
Seu regime 
Pra segunda.
A segunda, 
Minha amiga,
Acredite: 
Não se iluda.
Antes de perder barriga,
O que se vai 
É sua bunda.

Jangadeiro

Como o velho jangadeiro,
Carregado pelo mar,
Que o meu amor se vá
E me traga tantos outros
Verdadeiros.


Amor Descarrilhado

Sobe som. 
Trilha emotiva.
Locomotiva sai do trilho.
Música saiu do tom.

26 de jan de 2010

A Vizinha

Quem conheceu Claudinha há uns anos atrás não acreditou quando a viu descendo na rodoviária, voltando da longa temporada que passou na Europa. Não era magra. Era um espetáculo. Corpão violão, alta, tipo modelo de vitrine de loja de biquine. Muita carne. E nessa época ela não fazia o menor esforço pra manter a boa forma. Comia de tudo, e muito.

Mas a própria Claudinha sabia que estava fora de forma. Já voltou com um propósito em mente. Ia retomar o posto de rainha da gostosura. Estava resolvida. Ia fazer regime, fechar a boca, acabar com a graça de comer, só pra perceber, de novo, o sorriso estampado na boca da marmanjada quando a viam.
Todos lhe alertaram sobre os cuidados que deveria tomar. Sobre as tentações que iriam surgir e sobre como ela deveria fugir delas. Ela só não acreditou que seria tão difícil.

- Suculento's Grill, boa noite!
- Alô!
- Suculento's Grill!?
- Oi! É... Vocês ainda têm aquele sanduíche de bacon com tomate, alface, queijo e molho barbecue?
- Temos sim. É o X-Suculento's Bacon. Só que agora ele está maior, ganhou mais uma carne de hambúrguer e mais queijo.
- Ái...! Você pode repetir o nome, por favor?
- X-Suculento's Bacon!
- Que espetáculo de nome! Olha, eu vou querer um.
- Tudo bem. Qual é o seu nome?
- Cláudia Gomes.
- ...Claudinha?
...
- Alô!? Cláudia?
Ligação cai.

Todos já sabiam que Claudinha estava de volta e que também estava de regime. Principalmente as mulheres. É que apesar de Claudinha ser querida por quase todos, as mulheres morriam de inveja do seu corpão. Quando souberam que ela tinha engordado, ficaram aliviadas, e até com um sorrisinho de vingança no canto da boca.

Estava difícil pra Cláudia. Não tinha coisa que mais gostava de fazer do que ligar na lanchonete e pedir o X-Suculento’s Bacon. Ela amava. Antes de ir pra Europa, todos os dias ela ligava na lanchonete e pedia um caprichado. Com o regime, teria que esquecê-lo por um bom tempo, ou quem sabe, pra sempre.

- Suculento’s Grill, boa noite!
- Alô! É... Eu queria pedir um sanduíche.
- Sim. Pode fazer o seu pedido.
- Eu queria aquele de bacon...
- O X- Suculento’s Bacon?
- Isso! Esse mesmo! Lindo!
- Que isso, assim eu fico sem jeito.
- Não você! O sanduíche!
- Ah, sim! Claro.
- Você pode me dizer o que vem nele?
- Pois sim. Ele vem com duas camadas de pães, agora com dois hambúrgueres grill na chapa, tomate, alface, bacon, duas fatias de queijo e molho barbecue.
- ...Não pára! Vai! Continua!
- Mas é só isso.
- Ah... desculpa, eu me empolguei.
- Quer fazer o pedido?
- Não. Obrigado! Mas você pode repetir os ingredientes, por favor? Dessa vez, mais devagar, tá?
Ligação cai.

Apesar de todas as recomendações, estava difícil pra Claudinha conseguir fugir das tentações. Por ter extrapolado quando mais jovem, ter comido sem nenhum pudor, talvez tenha chegado a hora de pagar por todo o excesso. Esse seria o preço pela juventude transviada, mesmo ela achando que não iria agüentar por muito tempo.

- Suculento’s Grill, boa noite!
- Boa noite! Eu gostaria de fazer um pedido.
- Pois sim! Qual é o seu nome?
- Cláudia Gomes.
- Claudinha?
- É! Sou eu sim. Você vai anotar o meu pedido ou não?
- Mas, Cláudia. E o regime?
- Por favor! Sem perguntas. É um X-Suculento’s Bacon, bem caprichado. Ah! E um refrigerante também.
- Tudo bem. Confirma o endereço, por favor?
- Avenida das flores, número 35, apartamento 1302.
- 1302? Não seria o 1301?
- Não. É o 1302 mesmo, por favor!
- Ok! Vai demorar uns trinta minutos, tudo bem?
- Pode ser! E só mais uma coisa. Eu queria que, junto com o sanduíche, vocês enviassem uma carta dizendo o seguinte: “Vizinha. Receba com carinho este sanduíche como forma de agradecimento a todo cuidado que teve com o meu apartamento no período que estive fora. A única coisa que peço é que o coma na sacada de sua sala e, se possível, espere o vento que vem do leste bater para abri-lo. Com carinho, Claudinha!”

25 de jan de 2010

24 de jan de 2010

23 de jan de 2010

Aconteceu no Velho Oeste

Há muito tempo atrás, no tempo do velho oeste, numa cidade pequena, tipo aquelas de filmes de faroeste, existia um rapaz apaixonado. Seu nome ainda é desconhecido. Dele, só é sabido o apelido: Tam Tam. Apesar de meio lerdo (meio lerdo de verdade; devagar, devagarinho; bem lesado; dos que faltam parafuso; tipo inteiro retardado; desprovido mentalmente; sujeito muito demente; meio fraco da cabeça é meio pouco pra tanto talento em ser desfavorecido de força cuquífera – da cuca), o rapaz se apaixonou pela mais bela moça da cidade. Mas a donzela também tinha seus problemas. O primeiro: era casada. O segundo: com um matador. 

Certo dia, o "Tam Tam Apaixonado" planejou fugir com a amada. Mandou-lhe uma carta toda feita de palavras recortadas de jornal, pra caso o marido dela visse não descobrisse a sua origem, preservando assim a verticalidade do seu miúdo corpo. No outro dia, “Tam Tam” foi encontrado na horizontal, todo todo picotado, como frango de galinhada. É que, apesar de todo o esforço embutido nas palavras misteriosas, o maluco também assinou a carta, com nome próprio e tudo mais que lhe obrigava a escrita formal, inclusive, seu telefone (coisa que ainda nem existia).

E foi assim que também assinou a lápide, o túmulo, a lousa tumular, a velha campa, a sepultura, o sepulcro, o jazigo, a copa, dentre muitas outras coisas, fazendo dele o cara que mais assinou no Velho Oeste.

22 de jan de 2010

Palavrões




Se pudessem sentir

O que essas palavras
Querem dizer,
Eu diria: cuidado!
Logo vai feder.

Sexo Errado


Durou poucos dias. Mal se conheceram, mal se amaram e acabou. Acabou porque se amaram mal. Na cama, ela tinha limites. Por isso, foi ele que terminou. Na discussão, muito exaltado, deixou claro o motivo: “...E agora eu vou arrumar uma mulher de verdade. Uma que queira fornicar, entende? Uma bem gostosa, que goste do "vuco vuco". Sabe o que é "vuco vuco"? E sexo, você sabe o que é?!”. Com voz serena e bem mais grave do que de costume, ela também resolveu deixar tudo claro: “Eu também quero uma!”. 

20 de jan de 2010

Hipocondríaco
















Dois amigos discutem sobre um problema irremediável:

- Minhas vistas estão escurecendo.
- Toma!
- O que é isso?
- Uma lanterna.
- Não consigo segurar. Meus braços estão doendo. Você não tem um remédio aí?
- Esquece essa sua mania.
- Então me dá um remédio.
- Pra dor no braço?
- Não. Pra esquecer.
- Claro que não. E mesmo que tivesse, depois você ia querer um pra se lembrar.
- É! Seria ótimo. Você tem aspirina? Acho que vou começar a ter dor-de-cabeça.
POW!
- Put*& #$@! Por que me chutou? 
- Pra você esquecer a dor-de-cabeça. Passou?
- Agora eu preciso de um remédio pra dor na perna.
POW!
- Cara%$#@! Meu braço! Pára com isso!
- É pra você esquecer a dor na perna.
- Mas se você continuar me batendo vou ter que tomar uns 20 comprimidos pra dor passar...
- ...Por que você tá me olhando com essa cara? Nem vem que eu não vou fazer isso!
- Só mais um, vai! Já pensou? 20 comprimidos! Pode ser um murro bem forte e no rosto se quiser.
- Você é louco!

19 de jan de 2010

Morte na Academia (microconto)











A idéia era brilhante, mas depois apareceu um tal de Acordo e levou embora alguns acentos de ditongos. Sem o acento agudo, em poucos segundos a ideia perdeu força, até não suportar a dor e morrer alí mesmo, na frente do seu criador.



Amores



Existem amores
Que me deixam doído,
Que fico sem jeito 
De dizer adeus.

Existem amores

Que me deixam doido,
Que fico com jeito
De um semideus.

17 de jan de 2010

Talento












Queria ser músico.
Sem muito sal,
Aprendeu flauta doce.
Com muito custo,
Entrou pra uma banda barata.
Pouco satisfeito,
Aprendeu a tocar triângulo.
Um dia percebeu
Que o melhor que tocou
Foi a sua vida,
Sempre afinada
Em um tom abaixo
E conduzida n’um ritmo
Precisamente lento.


Terremoto (microconto)


Sofreu com os abalos sísmicos provocados pelo encontro de dois corações estremecidos. Os tremores revelaram fragilidades nas estruturas e colocaram tudo abaixo em poucos segundos.

15 de jan de 2010

Instrumentista de Corda






Desde bem moço,

Sonhava ser músico.
Entre os de corda e os de sopro,
Preferiu a corda no pescoço.

Incompreendidos





Os incompreendidos 

São seres, por muitos, temidos.
Bastam poucas palavras ambíguas,
Para afastarem seus grandes amigos.



Acaso






Perdida em seu céu,

Um dia encontrou
O amor entre as nuvens.

12 de jan de 2010

Serafim


Se vejo-te longe,
Meu peito se aperta.
Se, de ti, chego perto,
Timidez descoberta.

Se, contigo, me deito,

Coração sai de mim.
Se te abraço, sem jeito,
Sonho sem fim.

É que, sem ti, 

Sou esboço e cansaço.
Contigo, sou traços 
De um Serafim.

11 de jan de 2010

Carnaval do Ivan
















- Deixa de ser bobo, Ivan. Você vai perder o melhor dia? – disse Betinha.

Era carnaval e, mesmo não gostando muito, Ivan foi pra rua com a turma nos dois primeiros dias de festa. Com toda certeza, não agüentava mais. Além de exausto, sua consciência estava pesada. Queria voltar logo pra casa e retomar os estudos. Esse sim era o seu combustível, não aquela mistura que o Marcos o fez beber a noite toda.

No apartamento do Cláudio, estavam todos amontoados. Colchões por todo o lado, lotando os quartos, a sala, a cozinha e a sacada.

Antes de sair, pra não acordar todo mundo, só avisou Betinha que estava indo embora e que não se preocupasse, ele mesmo fechava a casa e deixava a chave reserva com o porteiro. A amiga ainda insistiu verbalmente para que Ivan ficasse, até porque, seria fisicamente impossível Betinha chegar até a porta. O caminho era longo, cheio de corpos e garrafas. Sua amiga havia bebido demais pra se preocupar com as despedidas. Mas de fato, queria que Ivan ficasse. Assim, Ivan partiu.

Sem pestanejar, o rapaz foi direto ao ponto esperar o seu ônibus passar. Enquanto esperava, percebia como era diferente o lugar sem aquele tanto de gente da noite passada. Como era pacato. Dava até pra ouvir o canto da cigarra anunciando as chuvas da estação.

O ônibus demorou. Assim que chegou, Ivan subiu e tratou logo de arrumar um lugar pra se encostar. Estava muito cansado. A viagem seria longa e pedia um cochilo. Dormiu.

Acordou quando o ônibus parou. Achou que havia chegado ao ponto final, o terminal. Enganado, mas ainda sem entender o que estava acontecendo, olhou pela janela e percebeu o trânsito todo engarrafado. Um desfile de rua dos blocos do bairro impedia a passagem dos carros.

O motorista foi logo avisando:
- Pra não ter reclamação, daqui a gente não arreda o pé por pelo menos uma hora. Então, quem quiser seguir a pé mesmo, boa viagem.

Sem pensar, Ivan desceu. O terminal estava há umas três quadras dali. Podia muito bem seguir sozinho e ainda aproveitar o desfile dos blocos enquanto caminhava. O desfile de bairros é peculiar porque acontece no meio da rua, em meio ao povo e aos carros. Nada impedia de qualquer um entrar no meio da rua e participar da bagunça.

Ivan precisa passar pro outro lado e, por isso, ingenuamente, na tentativa de atravessar o quanto antes o desfile, não percebeu que na rua estava o Bloco das Damas. O bloco gay estreante do ano. Era o mais animado.

Assim que tirou os pés da calçada, foi agarrado, abraçado e levado pro meio do povo. Depois que um homem entra em um bloco assim, dificilmente consegue sair. Não pelo gosto que toma, mas pela dificuldade física mesmo. São gays, mas nem por isso são fracos. E em carnaval, o apetite fica redobrado.

Em meio à bagunça, empurrões, tapas e beijos, conseguiu se desgarrar do grupo que o segurava e chegar ao outro lado. Ivan estava "estupradamente" exausto.  De sua roupa, sobrou sua calça, agora bermuda. Seu rosto estava todo coberto de batom e de marcas de unhas. Mas estava vivo. Era isso que importava. E precisava, mais do que nunca, chegar a sua casa.

Lhe faltava pegar mais um ônibus. De onde estava, avistou o coletivo, pronto pra sair do terminal. Há duas quadras de distância, Ivan começou a correr. Não podia perder a viagem. No desespero, chutou a calçada e caiu como um tronco no chão. A dor era insuportável, mas também não suportaria perder aquele ônibus depois de tanta luta.

Levantou-se e correu como nunca, pois nunca havia corrido mancando com um pé. Quando o ônibus ameaçou sair, Ivan o alcançou. Sem voz, sem perna e quase sem roupa, entrou no ônibus lotado e arrumou um lugar pra se encaixar. Agora era só esperar o seu ponto chegar.

Ivan só percebeu que pegara o ônibus errado quando, em meio ao aperto, lhe sobrou um feixe de luz onde avistou o lado de fora. Estava voltando, fazendo o mesmo longo percurso que havia realizado pra chegar até ali. Desesperado, tentou de todo jeito apertar o botão de parada, mas só conseguiu quando, em um ponto, quase todo mundo desceu da lotação. Ivan também desceu.

Desolado, olhou pro lado, depois pro outro... Dali, estava mais perto da casa do Cláudio do que da sua própria casa. Sem pensar, resolveu voltar para o apartamento, para junto da turma e aproveitar o restante do carnaval. Pegaria uma roupa emprestada do seu amigo até conseguir voltar pra casa.

Assim que voltou, Ivan percebeu que não havia mais ninguém. Já estava tarde, e aquela turma não podia perder um minuto sequer do final de semana.  Sentou-se ali mesmo, à beira da porta, do lado de fora, escorou sua cabeça entre as pernas e quietou-se. Não podia fazer mais nada a não ser esperar.

Em meio à tristeza e consternação, Ivan se lembrou que havia deixado a chave reserva com o porteiro. Dali, uma esperança se abriu. Correu lá em baixo e descobriu que a chave ainda estava por lá. De volta pro apartamento, pensou em se trocar e correr atrás da turma pra aproveitar o carnaval, mas não foi bem isso que fez.

Tomou o seu banho, digno da sua história. Pegou uma roupa qualquer do Cláudio e desmoronou no sofá da sala. Aquele silêncio, a calmaria, era o que precisava naquele momento. A festa ia ficar pro ano que vem, e aquele dia, sem dúvida, ia entrar para história de Ivan.

8 de jan de 2010

Conselhos



Cuidado com o que você come. 
E cuidado também com o que toma.
Cuidado com a fama.
Cuidado com a chuva, com a lama.
Tenha poucos cuidados na cama.
Preserve o seu sobrenome.
Sempre que quiser, coma.
Cuide bem de quem sente fome.






7 de jan de 2010

Tudo



Nem todo mundo precisa
De tudo que a gente tem. 
Hoje, tudo que preciso 
É de um pouco de tudo,
E de tudo, mas bem pouco,
Pra que tudo fique bem.

6 de jan de 2010

Fé Demais














A menina, toda crente,
Apaixonou-se, como gente,
Por um belo rapaz.

Foi falar com o pastor

O que queria, de repente:
"E então, como é que faz?"

Todo mal intencionado,

O pastor encheu o peito
E falou pra se casar.

"Mas pastor, é muito cedo.

Nem conheço ele direito."
Disse a crente, ao se espantar.

"E quem disse que é com ele?

Esqueça logo esse sujeito
E venha à minha fortaleza."

Ela até ficou surpresa,

Mas pra isso deu um jeito,
Pois queria a realeza.

"Meu pastor, é só pra Deus

E pra você que eu me curvo,
Essa é minha certeza.

Mas me diga uma coisa.

O que eu faço com o viúvo?
Isso não é safadeza?"

"Com isso, não se preocupe.

Essa sua apreensão
Agora é minha e do santíssimo.

Pra que ele se ocupe

E não tenha amolação
Vou aumentar o santo dízimo".

4 de jan de 2010

Aconteceu Com Um Cabra Macho














Cabra de busto cheio
Da mais alta autoridade
Foi fazer a caridade
De doar sangue pro alheio.
Moço novo, pouca idade,
Mesmo com virilidade,
Quase se partiu ao meio
Tremendo do teto ao chão.
Quando lhe picaram o braço,
Fez como o rádio-patrulha,
Gritou tanto com a agulha
Que até saiu fagulha
Antes de dar comichão.
As vistas escureceram
As pernas amoleceram
Até os pelos doeram,
Antes de dar apagão.
E pra piorar um cado
Quando acordou, deitado,
Viu que tinha se mijado
Diante da situação.
Como era respeitado,
Preferiu ficar calado
Fingindo ter apagado
Até parar o coração.

3 de jan de 2010

Endereço de Malandro














Dobre a esquina, 

A mulher, a amante e a sogra,
E continue meio torto 
Por mais duas quadras.
Depois do cruzamento
Não case.
Vire à direita, 
Na contra-mão,
E suba a ladeira 
Às custas do amigo ou do irmão.
Vá pela rua Desleixo
E vire na Boa Vida.
Atravesse a avenida Bondade 
Na mais alta velocidade,
Não pare pra olhar.
No bairro Preguiça
Você estará perto de casa.
Mas como malandro tem asa,
Pare pra ligar pra Larissa, 
Pra Cissa, Melissa, Maísa,
Pra Liza ou pra Tissa, 
E comece a pensar
No seu novo lar.

2 de jan de 2010

Meu Espelho












Algumas coisas

Preciso dizer,
Com toda franqueza.
Sou moço honesto
E modesto.
Eu não sou quebra-galho.
Tenho bons gestos.
Além do amor,
Me dedico também ao trabalho.
Não sou só esforço,
Sou mente.
Poucas vezes menti,
Mas sou gente, 
Eu erro,
Sem medo, admito.
Eu sou forte, 
Mas conto também com a sorte.
Não uso do berro,
Tenho meu norte
Nas coisas boas que prezo.
E levo comigo a certeza
Que até a mais nobre fortaleza
Um dia cai.
Porém, se queres
Ser como descrevo,
Te dou um conselho:
Comece no berço,
E se não puder ser o espelho,
Procure ser ao menos um terço
Do grande homem  
Que foi e que é 
O meu pai.

1 de jan de 2010

Amores e Dragões












Hoje invento histórias

Sobre monstros e vilões,
Enquanto vivo amores
De histórias de verdade.
Coitados dos escritores
Que viviam entre dragões
E escreviam sobre amores
Sem muita veracidade.