31 de mai de 2009

Quando Tom Bou


Aos poucos Tom foi acordando. Ainda meio zonzo, notou que estava sentado em uma cadeira, no meio de uma sala escura e fria. De repente Tom sentiu uma pancada forte no rosto que lhe cortou a sobrancelha e fez jorrar sangue por todo seu corpo. Gritou de dor.

Em meio ao liquido vermelho que escorria sobre o seu rosto, Tom gemia e tentava abrir os olhos para enxergar o que estava acontecendo. Desesperado, tentou se levantar quando levou o segundo soco, atingindo em cheio o seu queixo. Desabou. Ele não via ninguém em meio à escuridão, só sentiu o contato daquela mão dura contra o seu rosto amedrontado. Aos poucos foi se lembrando dos últimos momentos antes de acordar ali. Era sua festa de formatura. Tom era mais um em meio a milhares que deixavam a vida acadêmica para se entregar ao trabalho.

Ainda deitado, Tom não conseguia sentir a sua mão esquerda. A mão direita, apesar de livre, não conseguia defende-lo dos socos que vinham de direções desconhecidas. Continuou a apanhar. Os socos agora lhe acertavam o rosto, o estomago, o pescoço. Tudo lhe doía, e quanto mais apanhava, menos conseguia se mexer.

O que ele não sabia é que quem te batia era a sua própria mão. A mão esquerda. Tom era destro, e sua mão direita nunca fez mais do que a obrigação. Nunca fez mais do que o mínimo necessário para viver. Já a esquerda foi mais ousada. Dificultou sempre que podia os caminhos de Tom.

Naquele dia Tom perdeu para si mesmo. Ficou ali, entregue à sua mão esquerda. Sua vida em diante seria marcada por momentos como aquele, em que perderia sempre, sem nem sequer pensar em vencer.

A mão esquerda colocou Tom na lista dos que não encaram a vida como um desafio à vitória, mas sim com medo da derrota.

Formado, Tom agora era mais um... a menos.

3 comentários:

iuLa disse...

Aahn... Que bacana o título.

Gondim disse...

hahahah
acho que a conversa de sábado a noite e esse texto me remetem às mesmas pessoas...
gostei do quebra de expectativa do leitor. ficou bom.

Dai disse...

Um a menos só atrapalha a vida da gente. A nossa e a alheia.

=*