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18 de fev. de 2007

Lets Rock, Balboa!


Sabe aqueles filmes que marcam momentos? daí lembrar deles é lembrar de tantas outras histórias que aconteceram na época em que você o assistiu e que você, sozinho, nao conseguiria recordar, jamais! o filme não precisa ser tão bom, mas pode ser um filme tão ruim que não te deixa esquecer tantas outras coisas ruins, ou vice-versa. Ou mesmo uma mistureba, como um filme muito ruim que te lembra coisas muito boas, ou o contrário.

Rocky Balboa, para a minha infância e para a de muitos outros, creio, foi um destes filmes. Quem não se lembra do Rocky subindo as escadas do Palácio da Justiça da Filadélfia e de lá de cima erguer a mão, como quando vencia uma luta? e a música? eternizada para momentos de glória como o do boxeador.

Na época o filme ganhou três Oscars: melhor filme, diretor e edição. Não foi atoa. O filme era inovador e muito bem arranjado, com um enredo fascinante e uma boa atuaçao do Sylvester Stallone como o Balboa. O sucesso foi tamanho que não demorou a sair a sequência, e depois outra e mais outra, até a quinta série de Rocky sucumbir ao fracasso. A história não tinha mais graça. A sequência já não tinha nada de inovador, era o exagero do exagero do exagero daquela mesma conversa. Seria o fim de Balboa?

Hunf! Como se a gente não o conhecesse tão bem!

Pronto para reeguer aquele velho cansado, Stallone resolveu fazer direito e escreveu, roteirizou e dirigiu a chave de ouro do Rocky, que acaba de estrear no Brasil.

O filme, que se chama Rocky Balboa, conta a história de Rocky já aposentado como lutador, hoje dono de um restaurante onde passa a maior parte do tempo entretendo a freguesia relembrando os saudosos momentos no ringue. Depois de uma simulação de luta feita por um computador entre o antigo campeão mundial, Rocky, e o atual, Manson "The Line" Nixon (Antonio Tarver), com Balboa levando a melhor, o aposentado resolve voltar à ativa. A intenção era participar somente de lutas locais, mas de cara aceita o combate contra o atual campeão mundial.

A história parece besta, e até é um pouco, mas não deixa de ser também comovente e vibrante. Fora do ringue Balboa é ainda aquela mesma mistura de pateta com palerma. Dentro do ringue ele mostra que está longe de só ser aquele velho aposentado gerente de restaurante.

Não tenho dúvida que este é o filme da reconciliação com os fãs. De fazer o cinema todo erguer os braços quando ele subir as escadas do Palácio. E de vibrar com a sua última luta, definitivamente. Aliás, devo dizer que a luta é incrível, não só pelo combate em sí, mas, principalmente, pela montagem. Muito além daquela boa montagem do primogénito. As cenas em PB fazem alusão à carreira do boxeador e as câmeras em detalhe, subjetivas e médio plano se intercalam dando um charme especial para a peleja. Pra mim, esta é a melhor cena de toda a carreira de Rocky.

5 de fev. de 2007

O Filho da Preguiça


Hoje está fazendo, exatamente, muito tempo que não escrevo aqui, então vou aproveitar para variar um pouco e sugerir mais alguns filmes.

Em algumas postagens atrás, escrevi sobre dois filmes, Clube da Lua e Paradise Now. O primeiro foi dirigido pelo mesmo diretor de O Filho da Noiva, conforme escrevi no mesmo texto. Mas não sabia, você, que eu não o havia assistido, ainda. Não se zangue comigo! saiba que mal dormi naquela noite. E no dia seguinte aluguei pra confirmar a suspeita: o cara é mesmo bom.

O filme antecede o mesmo modelo do Clube da Lua, um filme simples mas com muito esmero. Os atores são praticamente os mesmos, sorte a nossa. Cenas bem trabalhadas, com diálogos e cenários bem interessantes. Confirmo também a preocupação do diretor com a composição fotográfica. Quase sempre as cenas são recheadas de cores fortes, nos conduzindo à uma sensação agradável, de mais vida, mais alegria. Apesar da histórias serem diferentes, os dois filmes se parecem bastante esteticamente.

Agora uma dica fresquinha, mas de macho! Estreou nos cinemas, na última sexta-feira, o filme À Procura da Felicidade. Dirigido por Gabriele Muccino, o filme já tem indicação ao Oscar de Melhor Ator para Will Smith, que interpreta Chris Gardner, pai de família que enfrenta sérios problemas financeiros. O filme gira em torno do drama de Gardner tentando usar de sua habilidade como vendedor para conseguir um emprego melhor para sua vida e a do seu filho Christopher (interpretado pelo filho verdadeiro de Will Smith, Jaden Smith). Uma história emocionante que faz muito bem pra pele. Recomendo!

É isso! Espero que vejam. Agora deixa eu voltar para a minha preguiça...

14 de jan. de 2007

Cinema pra se ver em casa.


Hoje vou de cinema pra se ver em casa. Consegui ver dois filmes muito bons e que valem a recomendaçao. É uma pena eu (e quem não viu) não ter visto na telona. Pra quem não viu, em lugar nenhum, vão as dicas.

O primeiro é "Paradise Now", um drama dirigido e roteirizado por Hany Abu-Assady. Foi indicado ao Oscar e ganhou prêmios em vários festivais, como o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e o European Film Award de Melhor Roteiro. É a história de dois palestinos recrutados para serem homens-bombas em um atentado contra Israel. O mais bacana é a visão humana que o diretor dá aos suicidas, pois o filme mostra justamente como é a vida de dois palestinos antes de morrerem por bombas presas ao corpo . Provoca a discussão sobre os motivos que levam as pessoas a promoverem estes atentados, nos faz pensar sobre a legitimidade deste tipo de missão e o quanto as pessoas envolvidas nestas situações, muitas das vezes, são vítimas também. Outra peculiaridade que me agrada neste filme são os diálogos, que em muitas ocasiões são somente o silêncio. Aliás, o filme é todo peculiar e por isso vale a pena ser visto!

O segundo, pra mim, é uma obra de arte. Se chama "Clube da Lua", de Juan José Campanella, o mesmo diretor de "O Filho da Noiva". O filme volta ao passado e narra a história dos dias de glória de um clube de dança em Buenos Aires da década de 40. Porém, em 1990, o clube encontra-se decadente e ameaçado de fechar as portas. A questão se agrava quando, à beira da falência, fundadores e descendentes tentam evitar com que o clube se transforme em um cassino. É uma obra de arte pela simplicidade com que é contado e mostrado tudo. Os personagens e seus dramas, romances, infidelidades, compaixões. O cenário é ótimo, fotografia simples mas de um capricho só! Um filme cheio de simplicidades ímpares!

Não vou contar mais sobre os dois, até porque a intenção aqui não foi de desvendar nenhum enigma e sim compartilhar duas boas experiências com a telinha. Espero que assistam e gostem (quem ainda nao gostou!).

8 de jan. de 2007

O que será isso aí atrás?


A discussao é bem ampla, de interesses e opiniões diversas e que vão de simples civis à empresarios, publicitários, paisagistas e vários outros interessados na polêmica. Estou falando da lei promulgada em Sao Paulo que proibe Outdoors e painéis eletrônicos na cidade.

A lei foi aprovada em setembro de 2006 pela Camara Municipal e entrou em vigor no 1º dia deste ano. Ela prevê a extinsão de outdoors e painéis eletrônicos em todo o município.

A situação é delicada e tem gerado controvérsias mesmo dentro das próprias classes. Há publicitários que aprovam a eliminaçao deste tipo de mídia tanto pela má utilizaçao quanto pela sujeira visual que elas causam no município. Além de acreditarem que com a proibição dos outdoors, as agencias e empresas terão que criar outros meios de propagar suas mensagens, o que pode ser interessante para a renovaçao das opçoes publicitarias. Claro que muitos discordam e vão perder dinheiro (alguns muito dinheiro!) com a operação de limpeza. Também há contrariedade entre os paisagistas, ambientalistas, mas no geral sao a favor da lei.

Bem, não estou aqui para resolver o problema e acabar com a discussão, mas vou divagar sobre a questão.

Entendendo o estado em que chegou a utilizaçao destas mídias, as irregularidades, clandestinidade e desrespeito às vistas dos paulistanos, sou a favor. Confesso que, além de achar que chegou a um ponto insuportável de poluiçao, estou curioso para ver o que há por trás de tantos retângulos. É claro que muitas empresas vao pagar pelos erros e espertezas de outras. Mas eu também pagaria se tivesse a grana para ver tudo zerinho.

Tive esta curiosidade observando outdoors daqui e imaginando como é o mundo lá atrás. Uma cidade nova como Goiania me atiça a curiosidade, imagine São Paulo, com histórias antigas mas encobertas por tantos paredões. Acho que esta curiosidade é culpa do excesso, que aliás é o culpado quase sempre, em tudo. A curiosidade é a de saber como seria a cidade por trás de tanta tinta? Acho que para os curiosos, pode ter muita história escondia.
Se ao menos deixassem uma brechinha para darmos aquela espiadinha (Fala aí Bial).

Por fim, nao quero ficar arbitrando sobre o tema, até porque nao sou nenhum perito, mas acredito que a soluçao foi bem vinda e que nao seja definitiva, nem tão boa assim. Muita gente se indigna com a proibiçao mas eu nao penso em outra soluçao que nao seja esta. A fiscalizaçao nao deu conta do recado, e pensando na cidade de São Paulo, um recado epopéico. Claro que o Estado tem sua parcela de culpa por nao ter feito a tarefa direito, afinal uma medida como esta gera problemas graves como o do desemprego e falência de empresas, sem falarmos de muitos outros consequentes desta determinação.

Mas é como eu já disse, em um meio como este, onde a criatividade é o combustível, nao vão faltar opções para fazer brotar outra árvore para as verdinhas crescerem.

4 de jan. de 2007

E agora? Mataram um culpado


Depois de um julgamento armado às pressas, mais rápido veio o cumprimento da sentença, que foi a pena de morte por enforcamento ao impiedoso Saddam Hussein.

Seria óbvio analisar que tudo, arranjado assim tão depressa, não passasse de uma armação. O julgamento, a condenaçao, outros fatos antecedentes e posteriores consequências como a gravaçao do enforcamento do ditador. Acho que tenho certeza que foi uma grande e inconsequente armaçao. Mesmo com muitas dúvidas, me entende?

Logo me veio a incerteza de até onde vai a armação.
Teria sido arranjado somente o julgamento? o julgamento e a pena? o julgamento, a pena, o cumprimento da pena... a execuçao tao rapida... o video... a divulgaçao do video... os protestos de xiitas e discussoes dos soldados durante a execuçao... eu nao sei ate onde pode ser verdade e farsa.
Se vai até a condenação, as consequencias foram desastrosas. Creio que neste caso tenha se perdido o rumo de tudo e na ansia de se resolver logo o caso, tenha terminado assim.

Mas se foi mesmo tudo armado creio que uma das possiveis intençoes é de se criar uma imagem danada de ruim daquele povo, para talvez tentar justificar a insistente permanencia dos americanos no Iraque, para nao falar dos interesses por aquela terra tao ardida.

São possiveis interpretaçoes que deixam claro como é dificil de entender esta situaçao tao complicada e de tanta interferencia que vive hoje o Iraque.

Para mim, é como se estivessem jogando forca e errando todos os palpites de propósito para colocar o bonequinho no laço!

27 de dez. de 2006

Que pena!




É triste ainda existir a pena capital.
Claro que nada justifica os homicidios cometidos pelo ditador Saddam Hussein, mas acima de tudo, nada justifica a pena de morte. Fere o direito humano maior que é o da vida. Não se paga um crime com outro crime. Crime, aliás, que nao nomeia o criminoso. Será da justiça. Mas quem é a justiça? É preciso dar nome a ela.
Perderam a chance de ver um criminoso pagar, que fosse por toda a vida, por crimes que cometeu durante décadas. Sendo mais otimista, de se arrepender de muitos. Ou que fosse somente de alguns.
Sou contra a pena capital, por qualquer motivo que seja. Deixo claro que sou totalmente contra qualquer abuso de poder, por mínimo que seja. E, claro, contra também qualquer crime (dentre eles o próprio abuso). Não estou indignado a favor de Saddam, pelo contrário. É que a pena de morte foi abolida há anos, pela maioria dos países ocidentais (fora os EUA) e tantos outros orientais, por ser uma punição que não resolve o problema da criminalidade, nunca resolveu, e só piora.
Sei que é mais fácil julgar quando nao somos vítimas de crimes como os que ele cometeu. Mas aproveito a minha sanidade para me indignar contra a pena de morte sob quaisquer circunstâncias.

19 de dez. de 2006

Funcionário mínimo


Imagine a situaçao. Você chega para o seu chefe com a carta rescisória, pede pra ele assinar e o comunica que ele está demitido! O seu patrão fica com raiva, indignado, depois tristezinho e vai embora...
Não faz o menor sentido mas é o que os parlamentares de Brasília estão fazendo. Nos demitindo.
Em uma decisão ingênua elegemos os piores funcionários para trabalhar em nossa empresa. São anarquistas de terno, gravata e cueca cheia de dólares. De direito, tomaram suas funçoes, de rebarba querem o congresso e depois nao duvido que irão querer dominar o mundo (pode escrever). Estão nos demitindo e de quebra (no duplo sentido) se deram um reajuste salarial de 91%. É uma decisão deles para eles mesmos. Coisa que eu nunca vi e nem mesmo sabia que que eral possível. É absurda.
Eu aprovaria completamente se eles tivessem este mesmo poder para votar os projetos de leis com tanta agilidade e autoridade. Coisa que não existe, a não ser agora pro auto-reajusto. Os projetos do congresso normalmento passam pelo senado, depois pela camara, aí vem o executivo, o judiciario, volta pra camara que manda pro legislativo... e assim vai até chegar no decorativo. Que saudade desta burocracia legislativa.
Os caras são tão malas que o processo é o seguinte: Aprovam o reajuste de 91%, que não tem porque ser legalizado, ninguém quer, nem mesmo eles (logico que querem), para no fim aceitarem um mísero reajuste de 30% e saírem como coitadinhos que ganharam só mais R$4.000,00 por mês. Ô dó!
A discussão é a mesma. O absurdo (da vez) é eles votarem por um aumento salarial deles mesmos.
Não vão pedir pro chefe? É que virou modinha o que o Justos ensinou. Estamos todos demitidos!
O pior é que no fim a culpa vai ser nossa por que temos a memória curta e blá blá blá. É a parcela da impressa que não sabe ajudar e só atrapalha. Que só sabe reproduzir o mesmo discurso quando a coisa fica feia. Também nao culpo a imprensa séria, só não aceito ser culpado pelo excreto alheio.
Escolhi um mentiroso muito bom. foi isso!

15 de dez. de 2006

No ponto certo


Nunca tinha visto, nem mesmo ouvido falar. Rogério Skylab é um figuraço e é, dos intelectuais, o mais excêntrico do Brasil (ô loco meu, brincadeira!). É poeta, compositor, músico, doido e bancário (ficou redundante?). Estourou com o clássico cântico "Matador de Passarinho", que foi parar na boca do povo, assim como os outros que vieram em seguida: "Cocô", "Bunda Suja", "O Meu Pau Fica Duro" e o mais recente sucesso "Cadê Meu Pau?", do seu último cd "Skylab VI".
Em uma entrevista, que tive a honra de ver pela tv, Skylab divagou sobre o "ponto final". Aquele sinal de pontuação com que se encerra um período. Para ele, todos nós deveríamos saber quando colocar o ponto final. Ele nao se refere à morte, mas à hora de saber parar. Ele como cantor, por exemplo, está no seu sexto CD e já planejou. Termina no décimo. Aprendeu isso com o Pelé.
Discordo! Sou a favor da vírgula, no máximo os três pontinhos...
O Pelé foi a lição de que devemos mesmo saber parar. Mas duvido que ele tenha planejado parar de jogar futebol aos 37 anos. Ele soube a hora de parar quando já estava lá. Entende? Já o Baixinho ainda não chegou lá. Este, se parar, vai ser com mais de 1000.
E se Skylab, depois de compor seu décimo cd, tiver a sua maior inspiração? Quanto vai valer o seu orgulho? é lógico também que um fator vai ser crucial para ele não ter a maior das inspirações. O Condicionamento. Estará condicionado a não ter a inspiração porque cultivou isto a mais de 3 CDs.
É por isso que sou a favor da vírgula. Se Rogérgio usasse a vírgula, no seu décimo CD teria a opção de se inspirar mais e, talvez, quem sabe, compor mais canções tortas sobre genitálias e orifícios excretores.